quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Edvaldo fala de despedida e de recomeço



Desde o dia 03 de outubro deste ano o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleac), Edvaldo Magalhães (PC do B) não concedia entrevista à imprensa.

O motivo para se esquivar dos holofotes da mídia não estão diretamente relacionado ao fato de ter saído derrotado de uma disputa para o Senado da República, onde obteve 123.806 mil votos, e muito menos a uma certa fragilidade das bases políticas da Frente Popular do Acre (FPA) exposta claramente com o resultado do processo eleitoral deste ano.

Para tal atitude, ele alega prudência para evitar afirmações e acusações precipitadas.

No dia seguinte do pleito eleitoral, naturalmente, Edvaldo deu prosseguimento a uma tarefa que cumpre há 13 anos ininterruptamente. Foi para seu gabinete na Aleac e tratou de despachar assuntos relacionados ao legislativo acreano e preparar-se para concluir sua missão como deputado estadual e presidente da Mesa Diretora da Casa.

Concluída a missão numa sessão especial realizada na semana passada, Magalhães volta à cena num almoço com a imprensa no restaurante Aracoã nesta quinta-feira, 22, cercado por um clima de amizade e descontração como ato de despedida e agradecimento aos jornalistas acreanos que acompanharam seu trabalho frente ao parlamento nos últimos quatro anos.

Fazendo um balanço de gestão, Edvaldo faz uma avaliação do resultado das eleições 2010, a composição da nova Mesa Diretora, sua escolha para assumir a Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio e os grandes desafios da FPA para vencer as eleições de 2012 e resgatar alguns valores perdidos ao longo dos anos. Os assuntos são colocados no centro das críticas do comunista mais conhecido na política acreana. Leia a seguir:


Edvaldo Magalhães presidiu a última sessão da Assembléia Legislativa do Acre na semana passada/Fotos:Odair Leal
Edvaldo Magalhães presidiu a última sessão da Assembléia Legislativa do Acre na semana passada/Fotos:Odair Leal

Resgate e credibilidade do parlamento acreano

Na análise de Edvaldo Magalhães, dentro da naturalidade do cenário brasileiro de olhar o parlamento com desconfiança, foi necessário assim que ele assumiu a presidência da Aleac, ter como foco o equilíbrio em todos os aspectos, desde as relações com os deputados de oposição e situação até a gestão administrativa.

“Essa responsabilidade exigia um equilíbrio no trato com as diferenças e opiniões de 24 cabeças que pensam de forma totalmente desigual, personalidades e posicionamentos antagônicos. Enfim, cada um diz o que pensa e fala o que pode ser considerado besteira ou sabedoria para o outro, e é necessário respeitar as divergências que essas opiniões causam”, diz Edvaldo.

Toda habilidade colocada em prática no campo político não poderia deixar de lado a área administrativa, onde Edvaldo tratou de fazer uma reforma geral do prédio da Assembleia Legislativa adquirindo obras que transformaram o local numa verdadeira galeria de artes do Acre e a montagem de uma estrutura funcional para Assessoria de Comunicação.

Ainda no processo de resgate de credibilidade e organização foram concedidas conquistas salariais para os servidores, a implantação de projetos culturais como o “Cores e Tons” e um cuidado especial com a pauta do parlamento que teve como carro-chefe o programa “Assembleia Aberta”, que consiste em um encontro realizado em todas as regiões do Estado com a presença dos 24 deputados estaduais com vistas a receber dos representantes da sociedade as reivindicações dos lugares mais longínquos.

“Na prática, este programa atendeu a necessidade de várias regiões com a construção de pontes, abertura de ramais, implantação de telefonia celular e convencional, extensão do programa Luz para Todos e até mesmo a desburocratização e abertura de empresas acreanas, como o caso da água mineral Lindalva. E, graças ao nosso esforço, a Secretaria de Planejamento nos deu respostas animadoras com a inclusão das demandas do programa no Plano plurianual do Estado”, relata Edvaldo.


Edvaldo manteve uma agenda intensa no parlamento acreano durante 13 anos
Edvaldo manteve uma agenda intensa no parlamento acreano durante 13 anos

“Já era hora de deixar o parlamento estadual”

Com estilo próprio de um legislador nato, Edvaldo Magalhães não exitou em afirmar na tarde desta quinta-feira que já estava na hora de deixar o parlamento estadual, e que ao longo dos anos de carreira política deu sua contribuição como deputado de oposição, de situação e presidente da Aleac. E, fez questão de enfatizar que não se arrependeu de ter sido candidato ao Senado, mantendo portanto seu projeto de ser candidato a cargos eletivos futuramente.

“Tenho 45 anos e ainda tenho muita estrada pela frente. Também não serei candidato a prefeito de Rio Branco em 2012. Já prometi meu voto parra uma candidata”, revela.

O projeto atual de Magalhães é dedicar-se em tempo integral a equipe de governo de Tião Viana, que trata-se da quarta etapa do projeto da Frente Popular para o Acre.

“Projeto de desenvolvimento específico para Amazônia”

“Através dos investimentos na indústria teremos que fortalecer a economia do Acre e dar um grande salto de progresso. Temos tudo para que isso aconteça de fato. Temos que ter um projeto de desenvolvimento específico para a Amazônia, a sustentabilidade deve atender as necessidades humanas e o projeto de industrialização deve ser de inclusão social e respeito ao meio ambiente, e a Zona de Processamento e Exportação (ZPE) é uma maneira de termos essa indústria limpa e produtiva”, disse Magalhães.

“A oposição me respeita porque eu sempre respeitei a oposição”

A respeito da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, Edvaldo Magalhães defende a construção de uma chapa unitária, inclusive com membros da oposição.

“Estamos começando uma nova legislatura e um novo governo e considero qualquer tensionamento desnecessário e desgastante. A Mesa Diretora é do parlamento e é necessário colocar esse pensamento acima de acirramentos políticos”, aconselha.

Ao responder a imprensa, Edvaldo afirmou que a oposição lhe respeitou durante sua gestão na Aleac porque ele sempre respeitou a oposição, seus posicionamentos e espaços. “Sempre discuti as matérias e os demais assuntos da casa democraticamente, informando as votações. O ideal é que tenhamos um debate pleno e procuremos compor uma chapa que faça a Assembleia cada vez mais forte para o povo”.

Sobre a FPA: “Prefiro uma vitória apertada do que uma derrota apertada”

Na visão de Edvaldo Magalhães o fato da Frente Popular haver vencido as eleições majoritárias com uma pequena margem de votos não significa que a agremiação caminha para sucumbir-se politicamente levando-se em consideração o fato da FPA ter feito historicamente quatro governadores consecutivamente no Estado.

“Esta é a única experiência de esquerda no Brasil. E, sem contar que dos oito deputados federais, nós reelegemos cinco e ainda 16 dos 24 deputados estaduais, o que na realidade nos mostra que tivemos uma derrota política e não eleitoral”, declara ele.

Edvaldo compara o resultado das eleições para a FPA com o pouso forçado de um avião. “Nosso avião não caiu, mas fizemos um pouso forçado e na verdade o povo quis dizer que devemos prestar mais atenção no serviço. Graças a Deus, teremos tempo para consertar este avião”.

Atribuir o aperto da vitória da FPA ao governo Binho Marques é considerado um erro na ótica de Magalhães. Para ele, a grande falha da FPA no processo eleitoral está vinculada diretamente a um discurso errado, de uma análise equivocada.

“Subestimamos uma outra realidade e deixamos de ter um olhar crítico sobre nós mesmos. Faltou humildade e o discurso do já ganhou desarmou nossa campanha. Nós dizíamos que a oposição estava com tanto medo que estava jogando com o time reserva. Erramos na largada e a presunção foi m dos esteios do nosso aperto eleitoral”.



Edvaldo Magalhães, candidato ao Senado: “O problema da Frente Popular nas eleições não era eu”

Sem ressentimentos, Edvaldo tenta se desviar de citar nomes ou culpados diretos por sua derrota nas urnas nas eleições deste ano.

Para ele, a profunda divisão do povo no pleito impossibilitou qualquer vitória sua para o Senado, mas não há como negar a falta de compromisso de pessoas com a mesma ideologia, o que causou grandes transtornos ao processo.

“Não existe ninguém dentro da Frente Popular que tenha dedicado sua vida a esse projeto mais do que eu. Pode ter igual, mas mais não. Meu coração não guarda mágoas, mas essas pessoas se arrependeram logo nos primeiros resultados. A duras penas foram obrigadas a terem outro olhar, mas eu acho que no final todo mundo amadureceu muito”.


Tião Viana, Edvaldo Magalhães e Jorge Viana conversam com eleitores no centro de Rio Branco durante a campanha
Tião Viana, Edvaldo Magalhães e Jorge Viana conversam com eleitores no centro de Rio Branco durante a campanha

“A FPA é um aglomerado de lideranças políticas”

Embora reitere que a Frente Popular precisa urgentemente se reencontrar com as suas raízes e o chão, Edvaldo enfatiza que a FPA é a maior escola de governo que já surgiu na Amazônia, somando-se a experiência administrativa adquirida ao longo dos últimos anos.

“ O nosso problema tem sido de postura política, mas esta nova fase será diferente e o governador eleito, Tião Viana está certo em afirmar que colocará as relações políticas na frente de seu governo. Isso não quer dizer politicagem, mas política. Quando eu falo isso não quero atribuir a ausência de política ao governo do Binho. O governo do Binho tem a marca a honestidade e dificilmente vamos superá-lo em feitos. Só que as vezes o quantitativo não resolve o problema da comunidade e precisamos conversar com o povo, temos que ter a orelha puxada pelo povo porque afinal de contas somos servidores públicos”, frisa.

Estendendo a reflexão as eleições municipais de 2012, Edvaldo acredita que esta será uma oportunidade de reavaliação dos projeto da FPA.

“Nesse processo estará incluída toda nossa militância, e portanto, devemos nos redefinir, nos reavaliarmos e ter a consciência de que a Frente quis tudo e o o povo nos deu quase tudo. Nós é que fizemos arranjos mal feitos e acreditamos em pessoas não comprometidas. O nosso maior desafio será apostar nas pessoas certas e fazer as escolhas certas. As vezes, ser menor te permite ser maior”, finalizou Edvaldo.

O deputado Edvaldo Magalhães com deputados do Acre e a ministra da Justiça da Bolívia, Celima Torrico

Agência ContilNet

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