quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Especialista defende perdão a milicianos e traficantes como medida para diminuir violência no Rio

Há cerca de 30 anos estudando a violência urbana na cidade do Rio de Janeiro, a antropóloga Alba Zaluar - cuja pesquisa com o escritor Paulo Lins, no final da década de 1980 deu origem ao filme Cidade de Deus (2002) - defendeu hoje (25) “o perdão” a traficantes e milicianos cariocas, como forma de reduzir as taxas de homicídio na cidade.

Ao comentar o acordo do governo do Rio com o Ministério da Defesa renovando a permanência de 1,6 mil militares nas favelas do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, ontem (24), a coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Violência (Nupevi) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, disse que o perdão pode ser uma medida mais eficaz que o esforço policial.

“Deviam ser pensadas formas de traficantes e milicianos desistirem e serem postos em recuperação. Por que não o perdão?”, sugeriu Zaluar, durante o 35º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. Em Medelín, na Colômbia, disse a antropóloga, a medida ajudou a baixar taxas de homicídio que chegava a 300 habitantes por 100 mil na década de 1990.

Segundo Alba Zaluar, a violência no Complexo do Alemão foi reduzida com a ocupação militar, mas ainda há na comunidade traficantes armados aterrorizando moradores. Para enfrentá-los, o que acredita ser possível com a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), como pretende Secretaria de Segurança, a decisão do governo do Rio pode contribuir.

“Entendo que [as tropas] podem ser necessárias por causa do efetivo policial fluminense limitado”, disse. A antropóloga explicou que se policiais tiverem que ser transferidos para o Alemão, favelas de outras áreas devem ficar “desguarnecidas” e os traficantes podem tentar retomá-las. “O complexo não está sob controle. É uma área muito extensa, cheia de morros e vielas”.

Para uma sala lotada, a pesquisadora ainda apresentou suas pesquisas na última década, com destaque para os trabalhos sobre vitimização e sobre a expansão das favelas controladas pelas milícias. Constam dos dados que os grupos paramilitares estão hoje em 45,1% das favelas contra 10% em 2005.

Agência Brasil

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