segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Especial: Violência que começa em casa

Acre aparece em terceiro lugar no ranking nacional no grupo de 100 mil habitantes com o número de casos
Glicério Gomes e Valda Araújo são personagens de casos de violência que revoltaram a população acreana em épocas diferentes. Crimes que tiraram a vida de duas crianças.
Há mais de uma década um crime cometido com requintes de crueldade chocou toda uma comunidade. Como protagonistas desta triste história dois homens, e uma menina de apenas 4 anos de idade.
No dia 23 de Março de 1997 , Jéssica Brígida de Souza passava o dia com o pai que bebia na companhia de um jessicaA menina Jéssica tinha apenas quatro anos na época em que foi mortaamigo, quando a bebida acabou a menina acompanhou este mesmo amigo que saia para comprar mais com a promessa de que ganharia um sorvete na volta para casa.
Horas depois a menina seria violentada sexualmente e estrangulada por Moisés dos Santos Lima Goes e Anailton Souza Oliveira, na antiga invasão, hoje o bairro Wanderley Dantas.
Os dois confessaram o crime, mas, ao indicar locais diferentes onde o corpo teria sido abandonado acabaram atrapalhando as investigações da polícia. O corpo da pequena Jéssica foi encontrado apenas 3 dias depois do assassinato, já em estado de decomposição e com sinais evidentes de violência sexual.
O marceneiro Glicério Gomes era o patrão de Carlos de Souza, o pai da pequena Jéssica, a casa em que Jéssica morava com o pai, a mãe e uma irmã foi cedida pelo patrão.
Além de acompanhar o nascimento e crescimento da menina, ele esteve ao lado da familia durante todo o desenvolvimento do caso.
"O sentimento da gente era de revolta, vontade de fazer justiça com as próprias mãos. A jéssica era um amor de criança. Na minha opinião foi um dos crimes mais bárbaros da história" contou.
Os criminosos, Moisés a Anailton foram condenados há mais de 30 anos de prisão.
Há sete meses outro crime, desta vez contra uma adolescente, também teria grande repercussão, principalmente pelo motivo que levou o criminoso a assassinar a menina.
No dia 5 de Maio de 2011 quando a adolescente Gabrielle Araújo Nascimento voltava da aula ela foi abordada com comentários constrangedores feitos por um vizinho. As ofensas eram costumeiras, todos os dias quando ela passava por Augustinho Bispo de Almeida era assediada.
Desta vez a menina se aborreceu e segundo testemunhas chingou o vizinho para que ele parasse de importuna-la. Minutos depois de chegar da escola, Augustinho invadiu a casa de Gabriele depois que ela chegou da aula e assassinou a menina com vários golpes de tesoura.
_DSC4136Gabriela reagiu e foi brutalmente assassinada a golpes de tesoura (Foto: Agazeta.Net)
A menina lutou até o último minuto, para viver, tentou correr, pulou a janela, mas, ao chegar ao portão não resistiu aos ferimentos e morreu. Augustinho confessou o crime e se entregou a polícia.
Quase 7 meses após a morte da filha mais velha, Valda Araújo, mãe de Gabrielle, mal consegue falar no assunto. Além de ter que conviver com ausência de Gabriele a dona de casa precisa administrar os traumas que atingiram a filha mais nova de apenas 4 anos.
"Desde que a Gabriele se foi a minha filha mais nova ja tentou se matar três vezes. Ela sente muita falta da irmã, eram muito apegadas. Para mim e para meu marido é dificil ter que nos acostumar com a ausência de uma e administrar o sofrimento sem fim da outra", desabafou. Augustinho Bispo continua preso aguardando julgamento.
No último dia 25 de novembro uma menina de 14 anos foi atacada por dois homens ao voltar da escola por volta de 12h. Os dois homens tentaram violenta-la sexualmente, usando uma garrafa de vidro, mas não conseguiram por que o local do crime era muito movimentado e horário também.
A tentativa de estupro aconteceu no Beco do Vasco localizado em um dos bairros mais tradicionais de Rio Branco, a Cohab do Bosque.Os acusados não foram presos até hoje.
Crianças e adolescentes são presas fáceis. O criminoso sabe que dificilmente terão força para lutar e se defender, e caso tenham a intenção de cometer o crime por outras vezes, conseguirão o silêncio desses inocentes apenas com ameaças. É o que  explica o Dr. Marcos Araripe, médico que atua na área de psiquiatria em Rio Branco.
"As pessoas que cometem crimes assim, quando não estão movidas pelo uso de drogas ou consumo de bebida alcoolica, certamente têm algum distúrbio. Crianças e adolescentes podem ser convencidas com promessas de ganhar alguma coisa ou até mesmo ameaças de violência contra ele ou contra algu´me da familia", explica.
Em 2010 o disque 100 registrou, em todo Brasil, quase 13 mil ocorrências somente de abuso sexual. No primeiro trimestre de 2011 já foram registrados mais de 4 mil casos.
O Acre aparece em terceiro lugar no ranking nacional no grupo de 100 mil habitantes com o número de casos.
Em todo o estado, até o mês de novembro o Núcleo de Atendimento ao Menor Vitima já registrou 1.285 ocorrências envolvendo todo tipo de violência contra crianças e adolescentes. São 381 inquéritos instaurados.
A maioria dos atos de violência são cometidos por familiares ou pessoa próximas a vitima.
"Não podemos dizer que a maioria, mas, um grande percentual das denúncias que chegam até nós é de pessoas da própria familia ou pelo menos do convivio familiar", declarou a Coordenadora do Nucria, delegada Eliana Elias
Em maio se comemora o Dia Nacional de Enfrentamento a Violência contra crianças e adolescentes. A Coordenadoria de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público Estadual vem desenvolvendo diversas atividades de combate a práticas criminosas que envolvam crianças e adolescentes.
O MPE promoveu assinatura de um pacto que prevê mais ações de prevenção e combate a crimes desta natureza.
"Depois que a comunidade teve conhecimento dos canais de denúncia aumentou consideravelmente o número de ocorrências. É muito importante que a sociedade se conscientize e que as próprias crianas e adolescente saibam que eles também podem chegar até nós", esclareceu o procurador de justiça Carlos Mais, coordenador da CDIJ.
De acordo com o Estatuto da Crianças e do Adolescente, "É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor".
A justiça e a sociedade civil andam de mãos dadas para lutar contra a violência que atinge tantas crianças e adolescente em todo país, mas, a proteção começa em casa.

Paula Amanda

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