sábado, 30 de junho de 2012

TRABALHO INFANTIL : “Família desestruturada é uma das principais causas”, diz superintendente .

crian__a_trabalho

Desde 2008, os índices do trabalho infantil não reduzem no país

O Brasil reduziu pela metade, entre os anos de 1996 e 2008, o número de crianças que sendo exploradas pelo trabalho infantil, indo de 6 milhões para 3 milhões de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa, talvez, seja uma notícia boa, não fosse o fato de a diminuição ter estagnado desde então. O motivo, segundo o próprio Ministério do Trabalho, se encontra na mentalidade da sociedade brasileira.
De acordo com o superintendente Regional do Trabalho e Emprego no Acre, Manoel Neto, o trabalho infantil traz danos não apenas à própria criança, mas a todo o país. “Esse é um problema social e individual. Além disso, estudos do IBGE apontaram que uma pessoa que começa a trabalhar cedo tende a ter salários baixos, diminuindo a renda do país”, destaca.
Manoel ressaltou, em entrevista concedida à equipe do jornal O Rio Branco, que a principal causa para o trabalho infantil ainda é os problemas na distribuição de renda. “Quando a equipe do Ministério do Trabalho vai às ruas, conversar com as crianças, descobre que elas prefeririam estar brincando, mas estão no trabalho pesado, ajudando na renda de casa. Foi a partir daí que o Governo Federal criou o PETI [Programa de Erradicação do Trabalho Infantil], com o objetivo de enfrentar o problema da falta de dinheiro”, destaca.
Após a criação do PETI, o trabalho infantil caiu pela metade no Brasil, mas a sua estagnação ainda é uma das maiores preocupações do Ministério do Trabalho, que ainda estuda formas para fazer com que a diminuição ocorra de forma mais efetiva.
Família desestruturada: um dos principais motivos
Segundo Manoel Neto, um dos motivos de o trabalho infantil não ter reduzido nos últimos quatro anos ainda se concentra nas tradições da família brasileira “Mesmo tendo recebido a bolsa, a família acredita que a criança tem que trabalhar, porque além de achar que o que recebe do governo é pouco, acredita que o pequeno não pode ficar ocioso em casa”, insiste.
Ele classifica essas tradições como “mitos”, e diz que muitos ainda se utilizam disso para fazer com que os filhos trabalhem. “Por que as crianças, ao invés de estarem trabalhando, não estão brincando, ou lendo livro? Isso não é ócio, isso é coisa de criança”, reitera.
Além disso, um outro motivo para o trabalho infantil seria o próprio desejo da criança de se emancipar. “Ao chegar na adolescência, a pessoa deseja ser independente, quer objetos que, às vezes, os pais não podem dar e, neste caso, optam por trabalhar. Neste caso”, diz o superintendente.
As escolas também seriam uma razão para a saída da criança do estudo e, de acordo com Manoel, elas não são atrativas. “Hoje, a situação das escolas no estado melhorou muito. O problema é que muitas delas ainda são anacrônicas, não oferecem atividades lúdicas aos pequenos. Desse modo, as crianças não se atraem pelo mundo dos estudos”.
Crianças que trabalham também estudam
O superintendente informou que, segundo estudos do IBGE, as crianças que estão trabalhando também estão nas salas de aula. “Antigamente, menor de 16 anos que trabalhasse não costumava estudar, hoje a realidade é diferente, eles ainda estudam. A diferença é que a qualidade desse estudo não será igual à dos outros, não tem como isso acontecer”, informa.
A escola seria um dos maiores atrativos para a melhoria dos índices e uma das alternativas seria a instituição da integralidade nos estudos. Para alguns estudiosos essa não seria uma boa opção. “Os psicólogos acreditam que essa não seria uma boa ideia, já que a escola teria que ser totalmente preparada para receber os alunos em tempo integral, sobrecarregando a escola. Além disso, a família deve compreender que a criança tem de ter seu espaço na escola e, também, com os amigos e com os próprios parentes”, destaca.
Ele reitera, ainda, que a família tem um papel importante na hora de educar uma criança, seja na hora de ajudar na hora da lição escolar, seja na hora das brincadeiras. “De certa forma, estamos entregando um diploma de reprovação à família brasileira, pois estamos nos atentando no quanto à situação é trágica hoje em dia”, diz.
Políticas do Ministério do Trabalho
As empresas, atualmente, não podem empregar crianças e a função do Ministério do Trabalho é identificar, notificar e autuar diante do Ministério Público para que as devidas ações sejam efetuadas.
No caso de o trabalho infantil ser identificado na família, o poder fica retido. “Temos, quando estamos nessa posição, de pedir ajuda ao Conselho Tutelar para que ele tome a devida providência”, explica Manoel Neto.
Os jovens que já estão no mercado de trabalho têm a alternativa do programa Jovem Aprendiz – Adolescentes de 16 anos ou mais, que começam a ter a primeira experiência remunerada em empresas. Mas, de acordo com o superintendente, a maioria dos empregadores desiste de contratar as crianças, principalmente por preconceito. “O preconceito ainda existe, e as principais vítimas são as crianças que mais precisam, as que passaram por alguma medida socioeducativa ou regime”.
Onde está o trabalho infantil
Há alguns anos, os apelos visuais acerca do trabalho infantil eram muito grandes. Eram pequenos engraxates, vendedores, e outros profissionais trabalhando em pleno centro da cidade.
Hoje, o trabalho infantil migrou para o meio rural e para dentro de casa. “As crianças agora estão ajudando a criar os irmãos menores e no roçado, no caso da área rural. São atividades que já faziam, mas que agora parece ser a que mais prevalece”, insiste Manoel.
Segundo pesquisas do IBGE de 2011, das 87.708 crianças de todo o Estado, 7.872 ainda ajudam a família na renda da casa.

Anne Moura

Alex Lima - Contatos: noticiaefatos@gmail.com
Twitter:@noticiaefatos
Cel: 9977-6454/9234-0590/8422-8857
 

MSN: noticiaefatos@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário