sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bate-boca aumenta tensão em comunidade assustada pelo tráfico


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Policiais à procura de suspeitos, no Recanto dos Buritis, na noite da última quarta-feira, 26
Um bate-boca generalizado entre a Associação dos Militares e o Grupo dos Direitos Humanos do Acre assusta ainda mais a comunidade do Recanto dos Buritis, alvo de uma suposta guerra entre policiais e traficantes desde o início desta semana, quando um soldado foi alvejado quatro vezes numa operação de rotina.


A AME, embora sem apresentar provas, pediu proteção de vida ao governo em favor de outros quatro policiais, que estariam com a cabeça à prêmio. O presidente da entidade, Isaque Ximenes, informou que “as ameaças foram levantadas pelo Segundo batalhão”, que tem jurisdição sobre o Segundo Distrito de Rio Branco. O tráfico na região, de acordo com ele, oferece R$ 30 mil por cada militar que for morto. Mais detalhes não foram apresentados à imprensa.

Os Direitos Humanos reagem. Apresentaram denúncia ao secretário de Segurança Pública, Reni Graebner, e ao comandante da PM, coronel Anastácio, contra o que chamam de truculência e excessos cometidos pelos soldados e sargentos que atuam na região. É que as ações ostensivas da PM foram reforçadas no bairro, inclusive com o apoio dos demais batalhões da capital, depois que o militar foi baleado e um outro teria sido emboscado na última quarta-feira, 26, próximo a sua casa.

A presença jamais vista da polícia dentro da comunidade motivou o Grupo de Direitos Humanos a fazer uma “blitz”, na intenção de obter informações dos moradores sobre como os policiais estariam abordando as pessoas. “Bater na cara de trabalhador não coisa de um policial preparado”, afirmou Clodoaldo Cristiano, membro do grupo. A reportagem de AGazeta.net percorreu os principais acessos do Recanto dos Buritis e ouviu alguns policiais. Segundo eles, “a ordem é parar todo mundo”.

O coordenador de DH disse às autoridades de segurança pública que eles próprios foram abordados de “forma violenta” pela PM, mesmo informando que eles estavam ali em missão humanitária. “Aqui não é lugar de reunião. Circula, circula”, teriam dito os policiais.

O secretário Reni Graebner deu garantias de que as denúncias serão apuradas, mas, como provas, há apenas o relato verbal dos integrantes dos D.H., o nome de um sargento que mora na região e o número da RP (Rádio patrulha) que fazia a ronda. “As portas da Corregedoria da PM estarão abertas para toda e qualquer reclamação. Se houver fundamento, os responsáveis serão punidos de acordo com as normas da corporação”, disse ele.

O subcomandante da PM, tenente-coronel Paulo César, admitiu que a região do Segundo Distrito abriga um número bem maior de presos em liberdade condicional, o que torna a região ainda mais violenta. Ele informou que especificamente no Recanto dos Buritis há uma quadrilha organizada identificada há vários meses e que está sendo procurada.
Assem Neto

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