sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Audiência pública termina com pedido de bloqueio de fronteira por 15 dias

Presidente da ALEAC repudiou ações contra brasileiros e exige providencias
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Deputado Elson Santiago (PEN), presidente da Assembléia Legislativa do Acre: Soluções imediatas - Fotos: Alexandre Lima
Foram cerca de 12 deputados estaduais que visitaram a cidade de Brasileia nesta quinta-feira, dia 22, para participarem de uma audiência pública proposta pelo deputado Major Rocha (PSDB), que tinha como objetivo, denunciar fatos ocorridos no lado boliviano contra brasileiros, principalmente acreanos.
O último que repercutiu até na imprensa nacional, foi o caso do mototaxista Eronildo da Silva Lopes (46), que está preso no presídio de Villa Busch, distante cerca de 9 km da de Pando, Cobija, envolvido num suposto triangulo amoroso que terminou em ameaças de morte e extorsão.
Após 25 dias detido na prisão sob acusação de extorsão, ameaças e de quadrilha, familiares, amigos e categorias de mototaxistas de Brasiléia e Epitaciolândia, resolveram radicalizar percebendo a inercia de alguns setores que poderiam estar ajudando no pedido de repatriação, para que pudesse responder pelas acusações em solo brasileiro.
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Deputado Major Rocha (em pé), teve seu pedido de audiência pública em Brasiléia atendida. Foto: Alexandre Lima
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Deputado Manoel Moraes (PSB)
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Deputado Jamil Asfury (PEN)
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Durante dois dias, caminhões pipas que deveriam abastecer a cidade boliviana foram impedidos de passar para Cobija, estes usam as estradas brasileiras para poder até a fronteira do Acre, passando por Rondônia saindo do de Riberalta, também na Bolívia.
Para a retirada dos manifestantes, foi preciso do uso da força por parte da tropa de choque do BOPE, que por sua vez não teve muito trabalho na retirada. Mas, o intuito de chamar atenção das autoridades foi concluído e alguns desses perceberam que muito mais acontece no lado boliviano.
Casos de abusos sexuais envolvendo médico boliviano contra brasileiras, extorsões e prisões por parte de policiais e outras atrocidades já foram denunciados naquela cidade. Até mesmo um simples atendimento em algumas lojas é realizado de forma grosseira, isso sem falar que o maior consumidor dos produtos importados “made in China”, são os brasileiros na maioria acreanos.
Bolívia tem um acordo com o Brasil onde deveria acolher de forma mais serena, os quase 10 mil estudantes de espalhados em seu País. Casos de homofobia e discriminação são denunciados com frequência pelos brasileiros que movimentam cerca de 80 de reais por ano somente na cidade de Cochabamba.
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Deputado Moisés Diniz (PCdoB)
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Deputado Eduardo Farias (PCdoB)
Isso acontece é pelo fato das mensalidades em universidades brasileiras chegar próximo a cinco mil reais mensais. Na Bolívia, um brasileiro com uma bolsa mensal de R$ 2000 reais, consegue morar, se alimentar e pagar a faculdade. O que seria impossível no Brasil.
Diante dessa realidade, os brasileiros são maltratados em forma de perseguição nesta época do ano, quando policiais ligados a imigração realizam batidas em bares e abordagens nas ruas procurando estrangeiros que, mesmo regular no País, caso estejam seus documentos, são multados em aproximadamente 500 bolivianos. Diante desses relatos, o deputado Werles Rocha (PSDB-Acre), pediu uma audiência Pública na cidade de Brasiléia e teve aceitação massiva dos colegas.
Sob a presidência do deputado Elson Santiago (PEN), a audiência teve início com o representante do PSDB, que foi o idealizador da indicação, falando dos acontecimentos que o levou à visitar a fronteira para saber dos fatos relacionados ao mototaxista.
A maioria dos deputados foram enfáticos em citar algum caso relacionados ao comportamento dos bolivianos na fronteira com Acre. A deputada representante do PP, que é filha de Brasiléia, Maria Antonia, falou como era antigamente na sua e do entre todos. Mas disse que isso já não acontece mais e já não se pode mais chama-los de “patrícios”, modo carinhoso em dizer ‘amigo’.
Mas teve quem foi duro e falou da inércia do governo federal, por parte do Ministério das Relações Exteriores que nada faz pelo seus filhos, como o deputado Jamil Asfury (PEN) e Manoel Moraes (PSB) que fez críticas severas exigindo respeito aos acordos.
Lembraram que os turistas e estudantes brasileiros que procuram a Bolívia, praticamente são vistos com outros olhos. São àqueles vistos como ‘sifras’ para serem extorquidos, e não como quem está ali para ajudar na economia de seus país.
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Os dois deputados compartilham da mesma ideia que se deve avançar na liberação dos FREE SHOPS na de fronteira para criar competição ao lado boliviano. Dessa forma, muita coisas poderiam mudar, principalmente no atendimento aos turistas que vem passear e movimentar bastante a economia local.
Já para os comunistas Moisés Diniz e Eduardo Farias PCdoB), foram mais cautelosos em suas críticas, mas, essa reunião deve se criar uma com um documento a ser levado e apresentado em Brasília na bancada federal. Lembrou que a deputada federal Perpétua Almeida, faz parte da comissão que trata desses assuntos direcionados ao Ministério Exterior.
O deputado e também filho de Brasiléia, Astério Moreira (PEN), relatou casos de pessoas que já passaram por extorsão sem escrúpulos por parte de alguns policiais. De pessoas que foram presas, humilhadas e espancadas por ter estacionado em lugar que não tem sinalização ou entrar numa rua na contramão.
Finalizando, o presidente e deputado Elson Santiago (PEN), após ouvir todos os relatos, comentou que irá levar tais situações às autoridades do Acre na Capital e fez suas criticas às autoridades bolivianas, que na maioria são coniventes com esses fatos.
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Sugeriu que em vez de fechar a fronteira por apenas dois dias, que seja por cerca de duas semanas ou até mais e estaria aderindo a campanha do presidente da Ordem dos Advogados no Acre, Florindo Poesch, que publicou em sua página social para que não visitassem o lado boliviano, "estou apoiando a OAB do Acre, tem que fechar essa fronteira por 15 dias ou mais", disse. Dessa forma, se possa chamar atenção definitivamente das autoridades e ver como fica a economia da cidade de Cobija, capital de Pando.

AltoAcre

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