quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Hospital das Clínicas realiza transplante de rins, fígado e córnea de um único doador

Quando alguém se dispõe a oferecer seus próprios órgãos, ou quando parentes autorizam a retirada de órgãos para transplante, a motivação é uma só a solidariedade e o interesse de salvar vidas. Foi o que fez a família do jovem Luan Nogueira Braña, de 21 anos, que em vida relatou aos parentes e amigos seu desejo em ser um doador.
A captação ocorreu no dia 21 deste mês – os dois rins foram levados para o Estado do Ceará, o fígado para São Paulo e as córneas para o Distrito Federal, onde vão passar por uma avaliação e em seguida retornam ao Acre para serem implantadas em um paciente de Rio Branco que se encontra na fila de espera.
“Luan era um rapaz que adorava viver, tinha muitos sonhos e planos, mas por uma cruel fatalidade do destino ele teve sua vida interrompida. Ao trocar uma lâmpada ele recebeu uma descarga elétrica e não resistiu”, relata a irmã do jovem, Mirella Braña. Ela diz ainda que quando seu irmão morreu a equipe da Central de Transplante do Hospital das Clínicas (HC) procurou a família e informou que os órgãos de Luan estavam aptos para doação. “Quando fomos comunicados [da morte], não aceitamos, mas em uma conversa familiar autorizamos a doação de órgãos, pois ele em vida já havia mencionado o desejo de ajudar outras pessoas”, esclarece.
Regiane Ferrari, coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (Foto: Marcelo Torres/Sesacre)
<<< Regiane Ferrari, coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (Foto: Marcelo Torres/Sesacre)
“Esse é um trabalho extremamente delicado, porque a família está passando por um momento difícil e temos que comunicar-lhes que o seu ente querido é um possível doador, e precisamos da autorização da família para tentar salvar outras vidas”, explica a coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, Regiane Ferrari.
Conheça um pouco da Central de Transplantes do Acre
O Hospital das Clínicas e a Central de Transplantes iniciaram suas atividades em março de 2006, em princípio como programa. Pouco tempo depois, tornou-se a Central Estadual de Transplantes, que tem como função a implementação e coordenação do processo de transplantes de órgãos e tecidos no Estado que envolve desde a captação de órgãos e tecidos e a seleção de receptores até o transplante propriamente dito. O transplante obedece aos critérios da lista única estadual. Funciona 24 horas por dia, em regime de plantão e sobreaviso, e tem uma equipe formada por médicos das áreas de nefrologia, urologia, cirurgia e clínica-geral, além de enfermeiros e pessoas que atuam na área administrativa.
A equipe da Central de Transplante trabalha de forma educativa junto à população, com a realização de palestras em escolas, secretarias e locais com grande fluxo de pessoas, explicando a importância da doação de órgãos que pode salvar vidas e renovar esperanças.
Durante esses sete anos foram realizados 46 transplantes de rins e 82 de córneas destinados a pacientes do Acre. Para outros Estados foram enviados seis rins, quatro fígados e seis córneas.
Quais os tipos de doadores?
Doador vivo: qualquer pessoa saudável que concorde com a doação, exceto quando prejudique a própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes de até quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Pessoas sem parentesco só com autorização judicial.
Doador falecido: são pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de dano cerebral irreversível, como traumatismo craniano ou derrame cerebral (AVC).
Como ter a certeza do diagnóstico de morte encefálica?
O diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos diferentes examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar, que é interpretado por um terceiro médico, para que não exista dúvida quanto ao diagnóstico.

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