quinta-feira, 21 de março de 2013

Morre mulher símbolo da luta dos Soldados da Borracha

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Vicência Bezerra da Costa, a Tia Vicência como era conhecida, nasceu no Ceará e veio para o Acre como Soldada da Borracha.
Atraída pelas promessas do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta), chegou ao Acre aos 14 anos de idade, junto com as levas de nordestinos que foram enviados para os seringais amazônicos.
Como os outros 60 mil Soldados da Borracha importados do nordeste, Vicência foi incumbida de coletar o látex para abastecer a indústria de guerra dos Estados Unidos.
Mesmo atravessando todas as dificuldades de viajar amontoada com os outros, tendo o navio acompanhado por caça-minas e aviões de guerra, ter estado sob a mira de um submarino alemão e depois em terras desconhecidas trabalhar árduamente, Vicência nunca perdeu o bom humor.
Autora do Hino do Soldado da Borracha, cantava-o orgulhosamente em todas as solenidades e até o último minuto de sua vida acreditou no reconhecimento do trabalho que desempenhou.
A animação dela contagiava os que duvidavam da equiparação salarial com o soldo dos subtenentes do exército. Benefício que não conseguiu alcançar.
Dona Vicência morreu nas primeiras horas desta quinta-feira (21), vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ela tinha 84 anos e deixa 4 filhos outros quarenta descendentes, entre netos e bisnetos.
A morte chocou a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), autora e relatora do projeto que equipara a pensão dos soldados da borracha ao soldo dos ex-combatentes de guerra, conhecidos como pracinhas. Projeto que, ainda, aguarda para ser incluído na pauta de votação da Câmara.
“É mais uma que morre sem ter seus direitos de Soldado da Borracha reconhecidos. Impossível não chorar! Eu fico com o coração sangrando, esperando quem será o próximo. E lembro que meu pai, também Soldado da Borracha, esperançoso por ter seus direitos reconhecidos, completou 90 anos. Faço mais um apelo a presidenta Dilma, para que faça justiça! São tão poucos!Preciso que a Bancada do Acre me ajude nessa luta. Já ta ficando muito tarde… Eles não aguentam mais esperar!”, desabafou.
Texto de Angélica Paiva

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