quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Polícia Federal prende pai de juíza e outras 5 pessoas por venda de abortivo

imageA Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (29) seis pessoas em Cruzeiro do Sul(AC), por venda de medicamento abortivo. Entre os suspeitos está o pai de uma juíza, proprietário de uma farmácia. A investigação da PF ocorreu após uma denúncia feita pela reportagem do G1  que identificou várias pessoas, incluindo servidores públicos da Saúde e funcionários de farmácias vendendo, sem nenhuma restrição, o medicamento proibido por lei.
Os exames periciais realizados pela PF permitiram constatar que se tratavam de comprimidos de origem estrangeira (Itália), sem registro na Agência Nacional de Saúde (Anvisa) e de comercialização proibida no Brasil.
Durante a operação, foram presos o proprietário e dois funcionários de uma farmácia localizada no centro de Cruzeiro do Sul, além de dois servidores públicos e o dono de uma distribuidora de bebidas.
Foram intimados também a prestar depoimentos na delegacia, uma enfermeira suspeita de cobrar até R$ 600 para praticar abortos, além de um vereador do município deGuajará (AM) e seu irmão, suspeitos de induzir uma menor de 16 anos, grávida do vereador, a praticar um aborto.
O delegado de Polícia Federal Milton Rodrigues Neves, que comandou a operação, explica que a comercialização, exposição à venda, ou guarda em depósito para vender ou de qualquer outra forma distribuir ou entregar medicamento de origem estrangeira e sem registro na Anvisa é considerado crime hediondo e está sujeito a pena de 10 a 15  anos de reclusão.  As penas são mais severas que as previstas para o tráfico de drogas.
Segundo o delegado, a prática do aborto é também  considerada crime hediondo. Comete o mesmo crime quem auxilia a gestante, induzindo ou pagando para que o aborto aconteça. O crime está  previsto no artigo 124 do código penal, com pena de detenção de até três anos.
As seis pessoas presas durante a operação foram conduzidas à delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul e estão à disposição da Justiça.
Pontos de venda
Vários pontos de vendas foram identificados, como também vendedores ambulantes que faziam a entrega em pontos a cidade.
A reportagem verificou que em algumas farmácias os proprietários  não guardavam o remédio na prateleira com medo da fiscalização. Já outros, guardavam dentro da farmácia e depois de negociar a venda com o cliente entravam no interior da loja e efetuavam a venda. O abortivo era vendido entre R$ 100 a R$ 250.
Casos de aborto em Cruzeiro do Sul
Segundo dados revelados pela maternidade de Cruzeiro do Sul, nos últimos dois anos foram registrados 358 abortos. De acordo com relatório da unidade, de janeiro de 2012 até junho de 2013, foram registrados 94 abortos entre jovens e adolescentes com idades de 12 e 20 anos, outros 252 abortos entre mulheres com idade de 20 a 40 anos e doze com mulheres acima de 40 anos de idade.
Segundo a diretora da maternidade, Fabiana Ricardo, as mulheres já chegavam na unidade de saúde com o aborto realizado. "Todas essas mulheres chagavam com sangramentos, o bebê já tinha sido abortado. O que não podemos afirmar é como o aborto aconteceu, tendo em vista que elas diziam que caíram ou tiveram algum desentendimento com o companheiro", diz.
As informações e imagem são do G1 AC, por Francisco Rocha.

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