quinta-feira, 24 de outubro de 2013

“Ninguém afronta o povo escolhido de Deus e fica impune”, afirma Henrique Afonso em análise sobre a conjuntura política acreana

imageO maior erro de Golias
Sempre digo que a melhor coisa que pode acontecer na nossa vida é estarmos no centro da vontade de Deus. Creio que Ele tem um plano à cumprir na história de cada um de nós. Uns com uma missão menos abrangente, outros que são colocados em guerras de dimensão maior. Somos desafiados todos os dias por situações que nos impelem a recorrer a experiências da Bíblia que nos ensinem e encorajem a confrontarmos os gigantes deste mundo, que aparecem para amedrontar os que estão na vanguarda da luta, e impedir a caminhada por um tempo melhor.
Golias foi um gigante que apareceu na história do povo de Deus para humilhá-lo e tentar barrar sua história, com o objetivo de escravizar esse povo e servir aos filisteus. Cometeu uma série de erros que o expuseram ao ridículo e que lhe custaram uma derrota tão grande, que ficou marcada para todas as gerações. Mas o maior deles foi desprezar um guerreiro corajoso chamado Davi, de idade jovem e sem nenhuma experiência de guerra, todavia vencedor de algumas batalhas que aos olhos humanos pareciam impossíveis de vitória.
Davi trazia consigo uma força invisível capaz de vencer qualquer guerra: o Espírito do Senhor. O homem Davi sabia do poder invisível que tinha. Suas armas não eram carnais, mas poderosas em Deus pra vencer fortalezas e anular todo sofisma contra o conhecimento de Deus. Os olhos de Golias enxergaram apenas um Davi com alguns objetos inofensivos para o tamanho do gigante.
O exibicionismo de Golias revelou o caráter e a arrogância de um povo que se achava superior a todos os demais. Dizia: "Hoje, afronto as tropas de Israel". Imaginava ele que exibindo seu arsenal de guerra intimidasse a todos, antecipando a deflagração de sua vitória. Ele sabia da diferença que seu tipo agigantado fazia no cenário de guerra. Era uma confiança exacerbada no seu tamanho físico, nas armas que carregava e no seu ego. Imagino o desfile "triunfal" de Golias durante quarenta dias, pela manhã e à tarde, humilhando um exército inteiro, e nenhum dos que foram convocados à guerra se dispôs a se sacrificar, para que pelo menos se fizesse uma demonstração de coragem e de fidelidade a uma nação. Era um contexto de um reinado que foi constituído por Deus, onde nenhum dos seus soldados foi capaz de dar a própria vida por uma nação. O que aconteceu? O medo do gigante? Desconhecimento de Deus? A ausência de confiança, mesmo conhecendo a história de um Deus que abriu o mar milagrosamente, parou o sol por vinte e quatro horas por amor a seu povo, que derrubou muralhas e realizou tantos outros feitos extraordinários?
No cenário dos dias de hoje, vejo essa história acontecer na vida das pessoas. Especificamente nos embates políticos, os que exercem poder político passam quatro, oito ou mais anos acumulando forças, através de armas humanas, para exibirem perante a sociedade seu arsenal e tentar intimidar qualquer tentativa de uma nova força arvorar tomar o lugar deles. Os meios de comunicação, a hegemonia política via ideologia, o fisiologismo, poderes opressores e outros mais são ferramentas usadas para transmissão da mensagem que propaga que quem está no poder é um gigante.
Outro erro que destaco nessa história, só que não foi de Golias, é o medo do Rei e de todo o povo de Israel."Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam de diante dele, e temiam grandemente."¨(I Sm 17.:4). Tremer diante de Deus é uma coisa, mas temer grandemente diante do inimigo é um erro fatal pra colocar uma vitória nas mãos do inimigo. Fico maravilhado com a doutrina da Soberania de Deus! ELE verdadeiramente governa seu povo e o conduz triunfalmente para a glória em suas guerras.
Deus mandou Davi levar aquela comida a seus irmãos, ao invés de Jessé, seu pai. Sabia que ali se daria uma das mais importantes cenas da biografia do povo de Deus, através da intervenção poderosa do céu. Uma clara mensagem ao mundo de que Davi estava investido de uma unção especial, para uma missão especial: O redentor é da raiz de Davi.
Estamos diante de estruturas gigantescas que nos levam a crer que é impossível derrotá-las para estabelecermos outras com pilares que construam uma realidade de paz, justiça, verdade e democracia. As estruturas que estão aí nos amedrontam. São fortalezas que se ergueram à custa de muita dor, gemido e levaram a injustiças, mas estão como que intransponíveis.
Certamente se olharmos para as nossas forças chegaremos à conclusão inevitável: é impossível.
Apresentamos nosso grande medo dessas estruturas a Deus, entretanto temos que enfrentar o gigante com boas ideias, valores, estratégias e com plena confiança no Espírito de Deus que está em nós. Fugir não adianta porque isso só vai colaborar com a manutenção dessas estruturas na sociedade. Pois como dizia Martin Luter King "Pior do que a atrocidade dos maus é a omissão dos bons.”.
Particularmente, entendo que uma batalha é enfrentada com possibilidade de vitória quando estamos motivados por boas causas. O que fez o Rei Saul querer suscitar um soldado para pelejar contra Golias, não foi uma boa causa. Ofereceu riquezas, mulher e isenção de impostos. Esse é um dos erros que percebo de maior gravidade na sociedade, em dias de grandes embates políticos. Davi não precisou ser incendiado pela concupiscência dos olhos e da carne para tomar posição de guerra contra o gigante. A sua motivação foi a causa de Deus. E a bandeira do Senhor naqueles dias era a dignidade do seu povo escolhido.
O que posso extrair de mensagem dessa situação é que ninguém afronta o povo escolhido de Deus e fica impune. Deus sempre dará vitória em uma batalha aos que são fiéis a Ele, independente de como ela termine. Para isso não podemos ficar calados diante de uma realidade que se apresenta no tocante aos embates políticos de decisão, em que as pessoas só são guerreiras com a certeza de que acumularão riquezas, status, prazeres e fama. É uma lógica longe da consciência de Deus. As causas tem que ser explicitadas, e tem que ser nosso combustível destinado a nos mover a frente do gigante e garantir a liberdade dos outros, d'agente e de nossa família.
(Henrique Afonso – Deputado Federal PV)

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